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Introdução
O
uso de células de carga como transdutores de medição de força
abrangem hoje urna vasta gama de aplicações: desde nas balanças
comerciais até na automatização e controle de processos
industriais.A popularização do seu uso decorre do fato que a
variável peso é interveniente em grande parte das transações
comerciais e de medição das mais freqüentes dentre as grandezas
físicas de processo. Associa-se, no caso particular do Brasil, a
circunstância que a tecnologia de sua fabricação, que antes era
restrita a nações mais desenvolvidas, é hoje amplamente dominada
pelo nosso País, que desponta como exportador importante no mercado
internacional.
Princípios de Funcionamento
O
princípio de funcionamento das células de carga baseia-se na
variação da resistência ôhmica de um sensor denominado extensômetro
ou strain gage (Fig. 1), quando submetido a uma deformação.
Utiliza-se comumente em células de carga quatro extensômetros
ligados entre si segundo a ponte de Wheatstone (Fig. 2) e o
desbalanceamento da mesma, em virtude da deformação dos
extensômetros, é proporcional à força que a provoca. É através da
medição deste desbalanceamento que se obtém o valor da força
aplicada.
Os extensômetros são colados a uma peça metálica (alumínio, aço ou
liga cobre-berílio), denominada corpo da célula de carga e
inteiramente solidários à sua deformação. A força atua, portanto
sobre o corpo da célula de carga e a sua deformação é transmitida
aos extensômetros, que por sua vez medirão sua intensidade.
Obviamente que a forma e as características do corpo da célula de
carga devem ser objetos de um meticuloso cuidado, tanto no seu
projeto quanto na sua execução, visando assegurar que a sua relação
de proporcionalidade entre a intensidade da força atuante e a
conseqüente deformação dos extensômetros seja preservada tanto no
ciclo inicial de pesagem quanto nos ciclos subseqüentes,
independentemente das condições ambientais. A forma geométrica,
portanto, deve conduzir a uma "linearidade" dos resultados (fig. 3).
Considerando-se
que a temperatura gera deformações em corpos sólidos e que estas
poderiam ser confundidas com a provocada pela ação da força a ser
medida, há necessidade de se "compensar" os efeitos de temperatura
através da introdução no circuito de Wheatstone de resistências
especiais que variem com o calor de forma inversa a dos
extensômetros.
Um efeito normalmente presente ao ciclo de pesagem e que deve ser
controlado com a escolha conveniente da liga da matéria-prima da
célula de carga é o da "histerese" decorrente de trocas térmicas com
o ambiente da energia elástica gerada pela deformação, o que
acarreta que as medições de cargas sucessivas não coincidam com as
descargas respectivas (Fig. 3).
Outro efeito que também deve ser controlado é a "repetibilidade" ou
seja, indicação da mesma deformação decorrente da aplicação da mesma
carga sucessivamente, também deve ser verificada e controlada
através do uso de materiais isotrópicos e da correta aplicação da
força sobre a célula de carga (Fig. 3).
Finalmente,
deve-se considerar o fenômeno da "fluência" ou creep, que
consiste na variação da deformação ao longo do tempo após a
aplicação da carga. Este efeito decorre de escorregamentos entre as
faces da estrutura cristalina do material e apresentam-se como
variações aparentes na intensidade da força sem que haja incrementos
na mesma (Fig. 4).
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